A identificação dos sintomas de ansiedade nem sempre ocorre de maneira imediata, uma vez que muitas manifestações são frequentemente interpretadas como reações triviais ao estresse cotidiano. No entanto, a persistência de determinados padrões cognitivos e fisiológicos pode indicar a necessidade de uma avaliação técnica mais aprofundada (NHS, 2024).
O espectro da preocupação e da tensão
Diferente do medo, que responde a uma ameaça presente, a ansiedade pode ser compreendida como uma resposta antecipatória a ameaças futuras. Quando essa antecipação se torna desproporcional ou constante, alguns indicadores passam a aparecer de forma mais clara, ainda que frequentemente sejam negligenciados (NHS, 2024).
Déficits na atenção e na memória
A sobrecarga cognitiva gerada pela preocupação constante pode comprometer especialmente a memória operacional e os processos atencionais. Observam-se dificuldades em reter informações simples, manter o foco em leituras ou acompanhar diálogos (FERRERI, LAPP, PERETTI, 2011; LLORENTE, GARCÍA, 2019).
Manifestações físicas associadas à ansiedade
Sintomas como tensão muscular, cefaleia e desconfortos gastrointestinais são comuns em quadros ansiosos e, muitas vezes, tratados apenas como questões físicas, sem que se considere sua relação com o estado persistente de alerta do organismo (NHS, 2024). Diretrizes clínicas também destacam sintomas como inquietação, fadiga, irritabilidade e dificuldade de concentração como parte do quadro (NHS, 2024).
Irritabilidade e fadiga
A preocupação excessiva tende a ser acompanhada por sensação constante de tensão, cansaço e irritabilidade. O esforço contínuo para lidar com a incerteza pode resultar em desgaste físico e mental significativo (NHS, 2024).
Esquivas sutis
O cancelamento de compromissos, o adiamento de tarefas ou a evitação de situações desafiadoras podem funcionar como estratégias para reduzir o desconforto imediato. No entanto, esses comportamentos contribuem para a manutenção da ansiedade ao longo do tempo, como descrito nos modelos de esquiva experiencial (HAYES et al., 1996; NHS, 2024).
O papel da intervenção técnica
Muitas vezes, a resistência em buscar ajuda profissional está associada à percepção de que os sintomas são “suportáveis”. No entanto, a manutenção desses padrões ao longo do tempo pode levar a prejuízos significativos no funcionamento diário e na qualidade de vida (Dillon-Naftolin, 2016).
O processo psicoterapêutico permite compreender esses sinais de forma mais precisa. A partir da análise funcional dos pensamentos, emoções e comportamentos, torna-se possível desenvolver estratégias mais eficazes de manejo. (HAYES et al., 1996).
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Referências
DILLON-NAFTOLIN, E. Identification and Treatment of Generalized Anxiety Disorder in Children in Primary Care. Pediatric Annals, 2016. DOI: 10.3928/19382359-20160913-01.
FERRERI, F.; LAPP, L. K.; PERETTI, C. Current research on cognitive aspects of anxiety disorders. Current Opinion in Psychiatry, 2011. DOI: 10.1097/YCO.0b013e32833f5585.
HAYES, S. C.; WILSON, K. G.; GIFFORD, E. V.; FOLLETTE, V. M.; STROSAHL, K. D. Experimental avoidance and behavioral disorders: a functional dimensional approach to diagnosis and treatment. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 1996. DOI: 10.1037/0022-006X.64.6.1152.
LLORENTE, R. L.; GARCÍA, P. G. Neuropsychology of generalized anxiety disorders: a systematic review. Revista de Neurología, 2019. DOI: 10.33588/rn.6902.2018371.
NATIONAL HEALTH SERVICE (NHS). Anxiety, fear and panic. Disponível em: https://www.nhs.uk/mental-health/feelings-symptoms-behaviours/feelings-and-symptoms/anxiety-disorder-signs.
Ver mais referênciasNATIONAL HEALTH SERVICE (NHS). Generalised anxiety disorder (GAD). Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/generalised-anxiety-disorder/symptoms/.

