A ansiedade costuma ser descrita como algo que precisa ser eliminado. No entanto, em muitos casos, a tentativa constante de evitar ou controlar esse desconforto pode acabar contribuindo para a sua manutenção.
De forma geral, a ansiedade é uma resposta natural do organismo diante de situações percebidas como ameaçadoras. O problema não está na presença da ansiedade em si, mas na forma como se reage a ela.
Em momentos de desconforto, é comum recorrer a estratégias que tragam alívio imediata, como evitar determinadas situações, adiar decisões, buscar garantias constantes ou tentar controlar todos os possíveis desfechos. Essas respostas, embora compreensíveis, tendem a funcionar apenas no curto prazo.
Isso acontece porque, ao evitar o desconforto, a pessoa não tem a oportunidade de testar novas experiências nem de perceber que, muitas vezes, o cenário antecipado não se concretiza da forma esperada. Com o tempo, a ansiedade pode se tornar mais frequente e mais intensa, justamente por não ter sido enfrentada de maneira gradual.
Além disso, a tentativa de eliminar completamente a ansiedade pode gerar um efeito paradoxal: quanto mais se tenta não sentir, mais atenção se dá ao próprio sintoma. A ansiedade passa a ocupar um espaço ainda maior na experiência cotidiana.
Assim, em vez de focar exclusivamente na eliminação da ansiedade, o trabalho passa a envolver o desenvolvimento de novas formas de se relacionar com pensamentos, emoções e situações difíceis.
Por exemplo:
- reconhecer pensamentos como eventos mentais, e não necessariamente como fatos
- reduzir padrões de evitação que mantêm o problema
- ampliar a tolerância ao desconforto de forma gradual
- construir respostas mais flexíveis diante de situações desafiadoras
Esse processo não implica ausência de ansiedade, mas sim uma relação diferente com ela. Aos poucos, o que antes era evitado pode se tornar mais manejável, e a necessidade de controle tende a diminuir.
Nem sempre o caminho mais imediato é o que traz melhores resultados a longo prazo. Em muitos casos, aprender a lidar com a ansiedade de forma diferente pode ser mais eficaz do que tentar fazer com que ela desapareça completamente.
Quando o desconforto se torna frequente ou interfere na rotina, a psicoterapia pode ser um espaço para compreender esses padrões e desenvolver novas formas de enfrentamento, respeitando o ritmo de cada pessoa.

