Muitas vezes, a depressão é confundida com tristeza. Mas nem sempre ela aparece dessa forma. Existem outros aspectos envolvidos que também afetam a rotina e a qualidade de vida. Em muitas mulheres jovens, por exemplo, o que aparece é um vazio difícil de explicar, uma sensação de desconexão, como se a vida estivesse acontecendo, mas sem muito sentido (Watson et al., 2019; Amrtavarshini et al., 2023).
Às vezes, está tudo aparentemente normal por fora, a rotina, os estudos e as relações. Mas, por dentro, parece que falta alguma coisa. Todo mundo passa por fases de dúvida ou desânimo. O que chama atenção é quando essa sensação começa a se manter ao longo do tempo. Os dias passam e a falta de sentido continua ali.
Pode vir junto com cansaço, dificuldade de se interessar pelas coisas, perda de motivação. Nem sempre é um sofrimento intenso o tempo todo. Às vezes é justamente o contrário, como se nada tivesse muito peso ou importância (Watson et al., 2019; Amrtavarshini et al., 2023).
Essa fase da vida costuma trazer muitas cobranças, mesmo que nem sempre sejam ditas em voz alta (Kuwabara et al., 2007; Brito & Soares, 2023). Escolhas importantes, comparação com outras pessoas, a sensação de precisar estar no “caminho certo”.
Aos poucos, pode surgir uma distância entre o que a pessoa está vivendo e o que ela sente que deveria estar vivendo. E essa distância pode ser sentida como vazio (Brito & Soares, 2023). Muitas mulheres também se pegam pensando: “eu não deveria estar me sentindo assim”.
Mas esse tipo de sofrimento não tem a ver só com o que acontece por fora. Também envolve fatores emocionais e biológicos que nem sempre são visíveis (Zwiep et al., 2025; Halbreich & Kahn, 2007). Quando essa sensação não passa, quando começa a afetar o dia a dia, a energia ou a forma de se relacionar, talvez não seja algo para lidar sozinha.
A psicoterapia não é sobre forçar uma melhora ou dar respostas prontas. É um espaço para entender o que está acontecendo e, aos poucos, reorganizar isso de um jeito que faça mais sentido. Sentir que a vida perdeu o sentido não significa que ela realmente não tem. Às vezes significa que a forma como ela está sendo vivida deixou de fazer sentido e isso pode ser revisto.
Você não precisa resolver tudo sozinha. Conversar com um profissional pode ser um primeiro passo mais simples do que parece.
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Watson, R., Harvey, K., McCabe, C., & Reynolds, S. (2019). Understanding anhedonia: a qualitative study exploring loss of interest and pleasure in adolescent depression. European Child and Adolescent Psychiatry. https://doi.org/10.1007/s00787-019-01364-y
Amrtavarshini, R., Jacob, P., & Kommu, J. V. S. (2023). Evolution of anhedonia in adolescent depression: An interpretative phenomenological analysis study. Clinical Child Psychology and Psychiatry. https://doi.org/10.1177/13591045231223862
Kuwabara, S., Van Voorhees, B. V., Gollan, J. K., & Alexander, G. (2007). A qualitative exploration of depression in emerging adulthood. General Hospital Psychiatry. https://doi.org/10.1016/j.genhosppsych.2007.04.001
Ver mais referênciasBrito, A. D., & Soares, A. B. (2023). Well-being, character strengths, and depression in emerging adults. Frontiers in Psychology. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2023.1238105
Zwiep, J., et al. (2025). Inflammation, metabolic dysregulation, and depression profiles related to anhedonia. Brain, Behavior, and Immunity. https://doi.org/10.1016/j.bbi.2025.106240
Halbreich, U., & Kahn, L. S. (2007). Atypical depression, somatic depression and anxious depression in women. Journal of Affective Disorders. https://doi.org/10.1016/j.jad.2006.09.023

